quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

video

Se eu soubesse cantar, seria essa música que eu cantaria por primeiro pra você. Porque tu é incrível do jeito que é! E porque eu te amo, porque eu sou completamente apaixonada por você, somente por você, meu tudo.

Texto de 11/2009

Uma certeza que o ser humano têm é a morte. Sabemos que, sem exceções, estamos destinados ao mesmo fim. Sabemos que a morte se aproxima à cada segundo que passa, à cada som, à cada palavra, à cada pensar.

Às vezes, a morte abraça pessoas jovens e sadias, deixando de lado velhos e doentes. Mas nossa hora chegará, cedo ou tarde ela chegará.

Talvez pelo fato da vida ser tão limitada - e a morte tão imprevisível, calma, cautelosa - que tantos caixões são acompanhados por lágrimas e, claro, pelas mesmas frases clichês de sempre: "Se eu soubesse que a hora dele chegaria teria dito mais vezes que o amava", "se eu soubesse que ele morreria eu teria ficado mais tempo por perto". Mas não sabemos, nós nunca sabemos o porque de tantas brigas e, depois, tanto arrependimento.

Um vazio momentâneo, uma saudade permanente, uma dor que vai e vem. Depois do fim só resta a poeira, depois que todos foram embora só restam as flores. A dor passa, e ela volta. Nos acostumamos com isso. Nos acostumamos a viver com a dor, a sorrir quando ela resolve dar uma trégua e a chorar quando ela inunda nossos pensamentos com lembranças nunca esquecidas.

O engraçado da morte é que, muitas vezes, nos culpamos. "A culpa foi minha por ele ter morrido, eu sei que foi". E nunca é. Coincidência? Talvez, mas a morte não é algo que pode ser provocado. Ela vem quando é chegada a hora, e não quando alguém deseja que ela venha. Ela vem porque ela tem que vir, quase nunca ela quer vir.

Parece que ainda consigo ouvir sua risada, sentir o seu abraço. Nunca quis que você me deixasse, nunca quis sentir o que estou sentindo neste momento. Sou fraca como todos, não fui uma exceção da regra. Eu chorei, eu sofri, eu me culpei, e parte minha foi levada com você.

Eu ainda desejo um dia poder lhe ver novamente, cuide de mim. Eu preciso continuar aqui.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Amor de inverno

Amor de inverno não é como amor de verão, que dura apenas uma estação e deixa boas recordações. Não é como amor de primavera, que fica o tempo necessário e depois se vai, deixando algumas marcas. Amor de inverno dura para sempre.

Amor de inverno te trás não só alguém para amar, te trás um companheiro. Alguém para você se orgulhar, alguém para você acreditar, alguém por quem você é capaz de parar de respirar, alguém com quem você imagina o resto da sua vida.

Amor de inverno trás a melhor pessoa que já cruzou a sua vida! Trás um anjo, um anjo com defeitos e cheio, extremamente cheio de virtudes. Trás um garoto que te pega no colo e te transmite paz, trás um garoto que te ama, e que tu ama acima de tudo.

Amor de inverno é a melhor coisa que acontece na vida de uma garota – ou a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Este amor aparece quando você mais precisa não só de alguém para te dar carinho, mas alguém para você poder conversar e poder abraçar quando tiver vontade de chorar.

Amor de inverno dura para sempre, é um sentimento que ocupa todo seu coração, que te trás um brilho no olhar diferente de tudo. Amor de inverno te trás força, te enche de esperança, faz você perceber que existe um mundo todo torcendo por você, principalmente este garoto incrível que está do seu lado.

Amor de inverno que eu quero que dure (e que durará) o resto das estações do mundo!

domingo, 28 de novembro de 2010

#paznorio

Até quando nossas crianças terão de morrer para termos paz? Até quando pequenos anjos terão de dar suas vidas para que nós, seres humanos, nós “gente grande”, entendamos que a vida de alguém vale muito mais do que seis toneladas de maconha?

Acompanhamos durante dias policias invadindo um lugar tomado por essas pessoas que não parecem ter um coração. Por essas pessoas capazes de matar qualquer um sem nem um pingo de pena, de compaixão. Matar a sangue frio, por dinheiro, dinheiro sujo. Dinheiro de droga!

E, infelizmente, parece soar normal o apresentador falar que são 60 mortos em apenas 3 dias. Nós, esses tais seres humanos, ficamos mais preocupados em saber que rumo essa tentativa de paz iria tomar do que saber se eram crianças, inocentes que morreram ali, nesse fogo cruzado, nessa troca de tiros entre dois lados.

E então eu me pergunto: até quando? Será tão difícil um mundo em paz? Será tão difícil acabar com algo que destrói famílias, destrói pessoas, destrói o amor, como a droga? Será tão difícil perceber que um mundo em paz seria melhor para mim, para você, para uma nação?

Quando, meu Deus, quando nós todos iremos nos dar as mãos? Quando, independente de raça, de língua, de religião, nos uniremos em busca de paz, de amor? Quando trocaremos essas armas potentes, esses tanques blindados, esse “baseado”, por uma bandeira branca? Uma grande bandeira branca com três letras, uma grande bandeira branca que tocaria nossas vidas, que nos mudaria, que nos faria, enfim, PESSOAS, e não apenas seres humanos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desabafo, mais uma vez

Não posso dizer que isto seja um desabafo de um coração partido, pois não é. Mesmo se você quisesse partir meu coração, você jamais conseguiria. Aliás, você nunca nem se quer tentaria fazer tal feito. Isto é um desabafo de um coração que, neste momento, está cheio de esperanças de lhe ver cruzar aquela porta e dizer um simples “eu te amo”, e trazer de volta toda a felicidade que você, apenas você, conseguiu me dar.

Isto é um desabafo com letras tremulas e um papel molhado, um desabafo de um coração que sente sua falta – mesmo sem fazer muito tempo que lhe vi. Isto é um desabafo de um coração que, hoje em dia, está com você. Um coração que, desde um tempo atrás e – eu realmente espero que – para sempre estará com você.

É um desabafo de um coração que, a cada minuto que passava com você, pulsava em alegria, em sintonia com o seu sorriso. É o desabafo de um coração que ria com suas cosquinhas, que sorria quando ouvia sua voz, é o desabafo de um coração que você conquistou por completo, um coração que seria capaz de parar por você.

Isto é um desabafo que está chegando ao seu fim, isto é um coração que está a sua espera. Que está a ansiar por uma frase sua, uma única palavra, é um coração que pede somente por você, que deseja e ama só a você. Este é o meu coração, cuide bem dele e, por favor, volte logo para mim. Eu irei lhe esperar mesmo que o tempo for o “sempre”.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A história é um pouco diferente, é perceptível como ela não é parecida com nada. Nem com histórias infantis, seriados e muito menos novelas. Nesta história não existe uma bruxa má, nem a vilã querendo destruir o amor de vocês. Nesta história não há maçãs envenenadas nem poções para você dormir para sempre. Ela é uma história real abençoada.

Ela não começa em um castelo e nem em um jardim infinito, ela começa em um lugar escuro, com música alta e inúmeras pessoas. Ela começa com um olhar e, garoto, tenha certeza que a menina se encantou por você desde a primeira vez em que lhe viu.

A história prosseguiu e fez com que a menina vivesse, enfim, seu conto de fadas diferente. É claro que ela não era uma princesa, o mais perto de uma coroa era o seu sorriso, que a acompanhava desde o momento que via seu príncipe, até o momento em que os dois se despediam.

Acredite garoto, você fez e faz um bem completamente absurdo para esta menina. Acredite garoto, você trouxe-a felicidade e fez com que esta menina soubesse realmente o que é o amor. Acredite garoto, este sorriso que hoje habita o rosto daquela menina é culpa exclusivamente sua. Meus parabéns, você faz de mim – a narradora e menina da história – a garota mais feliz do mundo inteiro!

Ps: Eu perdi completamente o tal "dom" que eu achei que tivesse para escrever, a única coisa que eu pensei saber faz direito. Eu queria poder expressar melhor, de um jeito mais bonito do que essas poucas palavras, que eu te amo, que você é o certo e que eu nunca, nunca mesmo quero te perder. Eu te amo, e eu sei que esse sentimento vai ser pra sempre.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Isto é sobre um sonho

Hoje eu tive um sonho bonito, hoje eu sonhei com você.

Você estava tão lindo, o que não é nenhuma novidade. Seu sorriso parecia ter uma luz diferente de tudo que existe, o que também não é novidade. E você me segurou nos braços com força e amor, e eu me senti tão feliz. O que também não é novidade pelo fato de me sentir feliz até respirando do seu lado.

- Olha, este lugar é todo nosso. – Você disse e me girou devagar para que eu pudesse prestar atenção nas flores no chão e no verde do campo que não parecia ter fim. Eu sorri.

Você me apertou contra seu corpo e eu tive de encostar a cabeça em seu ombro, nada mais me importava, nem o fato de tudo isso ser um sonho, porque, quando eu acordasse você estaria do meu lado e eu veria aquele sorriso iluminado que mencionei no início.

- Posso acordar? Preciso te abraçar de verdade, te beijar de verdade e dizer que amo você mais do que qualquer coisa nesse mundo – Eu disse para a sua réplica perfeita no meu sonho.

- Amor? Você tava sonhando, disse que queria queijo. – Você riu e eu te abracei forte, tão forte que tive vontade de chorar só de saber que você existe mesmo, que seu sorriso é a coisa mais maravilhosa que eu já vi em toda minha vida e que é real, e é meu. O meu sorriso predileto. O meu amor.

Hoje eu tive um sonho bonito, hoje eu sonhei com você.

Isto é sobre a felicidade

Afinal, o que é ser feliz? Ter um bom emprego, uma boa casa? É ter viajado, pelo menos, para um país diferente e sempre ter roupas novas para usar? Afinal, o que é ser feliz?

Felicidade envolve dinheiro? Por que envolveria? Deus foi justo, a felicidade é um sentimento bom demais para ser apenas de 20% da população mundial. Há pobres com um sorriso verdadeiro no rosto e muito amor por seus filhos e marido, ou mulher.

A felicidade é abstrata. É um quadro que, no começo, parece vários rabiscos aglomerados entre si e com cores diferentes para formar algo que nós não conseguimos nem se quer decifrar. Aí depois de um tempo este quadro abstrato cria formas e rostos e nos faz entender que felicidade é um sentimento complicado demais de se alcançar, e por este fato não podemos perder tempo tentando apenas decifrar.

Viver a felicidade é o que deve ser feito. Sentir a felicidade. Respirar a felicidade. E, se sua felicidade tiver como acompanhamento o amor, parabéns. Você deve ser um dentre milhões de pessoas (me incluindo) que eu considero as mais felizes do mundo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

15 maneiras de fazer uma garota sorrir

15 – Prenda-a entre suas pernas e faça cosquinha até ela dar gargalhadas.

14 – Segure sua mão enquanto você dirige, segure sua mão em qualquer momento.

13 – Trate-a, quando estiver com os amigos, da mesma forma que você a trata quando estão sozinhos.

12 – Dê flores a ela sem precisar de uma data especial.

11 – Faça guerras de iogurt e a suje o rosto, deixe-a sujar seu rosto de brigadeiro.

10 – Faça com que a primeira vez que você a disse “eu te amo” se torne inesquecível.

9 – Beije-a na chuva.

8 – Pegue ela no colo e, em seguida, caia com ela no chão da sua sala.

7 – Durma nos braços dela.

6 – Apresente-a à sua família como sendo sua namorada.

5 – Mande mensagens inesperadas a ela.

4 – Beije-a na testa, beije-a nas bochechas, beije-a na ponta do nariz, beije-a na boca, apenas beije-a.

3 – Chame-a de ‘amor’, e não de ‘gata’.

2 – Abrace-a forte toda vez que a ver.

1 – Seja você mesmo, com defeitos e virtudes, ela se apaixonará por você. Eu me apaixonei e continuo apaixonada por você.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Amor sublime - Legião Urbana

As luzes na cidade parecem estar com cores diferentes dos dias normais, acho que é pelo fato de você estar do meu lado. O caminho para casa parece mais feliz, acho que é porque você está me levando, porque é você que me deixará na porta de casa e me dará um beijo antes de dizer-me boa noite.

Sabe, eu poderia chorar toda vez que você liga o carro e vai embora, mas também poderia sorrir porque sei, eu tenho total certeza disso, que logo você irá me buscar novamente e eu saberei que é você mesmo antes de você gritar meu nome no portão, acho que é porque o meu coração bate forte toda vez que você está perto, e isto é um bom aviso quando você chega.

Eu poderia dormir toda noite abraçada com você, porque meus sonhos se tornam realidade, porque saber que você está a menos de um metro de mim me trás uma segurança que ninguém no mundo pode explicar. Eu poderia dormir e acordar com você todos os dias pelo simples fato de ser isto o que mais anseio. Poder ver seu sorriso e seus olhos todos os dias da minha vida é o que eu mais quero.

Sabe o tal do amor? Aquele que todas as pessoas vivem procurando, aquele que trás um sorriso pra qualquer tipo de pessoa, aquele que nos deixa mais bonitos e confiantes? É isso que eu sinto por você, esse tal de amor. Esse amor forte, verdadeiro... Esse amor, esse todo amor, que eu guardei a vida toda para dar à alguém e, por uma sorte do destino, esse alguém foi você. Eu te amo como jamais amarei outra pessoa nesse mundo, porque só existirá você, será sempre você. O meu amor, a minha vida, minha felicidade, o meu namorado. Meu eterno namorado.

domingo, 31 de outubro de 2010


Em algum momento da vida você vai querer alguém que te abrace quando o frio parecer insuportável, que te faça sorrir quando toda sua vida parecer estar por um fio, você vai precisar de alguém pra poder chamar de seu, só seu, e não por egoísmo, mas pelo simples fato de todos nós precisarmos de alguém para amar.

Em algum momento você vai precisar de alguém pra te fazer cosquinha, pra te fazer sentir criança, pra te fazer sentir mulher. Em algum momento da sua vida você vai precisar de alguém que te pegue no colo e, segundos depois, caia com você no chão para ali vocês ficarem rindo por minutos, ou simplesmente para fazer uma guerra com iogurt.

Em algum momento você vai querer viver por uma só pessoa, você vai precisar dela para te alertar de certos tipos de decisões, você vai precisar dela pra te ensinar algumas coisas, você vai precisar dela por simplesmente amá-la mais do que tudo e com todas suas forças.

Em algum momento vai aparecer na sua vida a pessoa certa. Vocês irão ficar juntos durante muito tempo, aí então um vai conhecer o ponto fraco do outro, os defeitos, as manias. Vocês irão fazer planos e serão eternos apaixonados. Em algum momento você vai perceber que é essa pessoa, e somente essa pessoa, que te faz feliz. E aí então, depois disso, vocês ficarão juntos para sempre.

E que assim seja, nós dois juntos para sempre.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010


Você deve ser o anjo que tanto rotulam. Aquele anjo que deve ser perfeito e que Deus coloca em nossas vidas de determinadas e diferentes formas para nos proteger de todos, ou quase todos, os perigos da vida.

Você deve ser aquele anjo, me disseram que chegaria em breve. Aquele anjo que seria capaz de me transportar para fora da realidade, que seria capaz de me dar asas, que me pegaria no colo e me faria voar sem nem se quer sair do chão.

Seu dever era me proteger, certo? Estava em seus planos me deixar completamente apaixonada? Estava em seus planos se apaixonar? Isto é certo?

Óbvio que é certo, anjo. Talvez seja surreal um amor recíproco entre um humano e um anjo, mas é certo. E o motivo maior de ser certo é pelo fato de ser verdadeiro.

Tudo que é verdadeiro é abençoado, sabia anjo? Então, se não estava nos seus planos fazer nascer um amor, por favor, coloque agora em seus planos cultivá-lo até o último dia de nossas vidas. E, como você é um anjo e anjos são imortais, cultive-o para todo o sempre. Este amor merece.

E, se não for pedir muito, continue a me proteger. Ninguém cuida de mim melhor que você, meu querido anjo-amor.

Angústia


Está tudo escondido, tudo em caixas, malas, lençóis. Está tudo bagunçado, eu estou indo para algum lugar e não sei se serei feliz. Eu estou abandonando dois anos da minha vida neste pequeno apartamento, nesta pequena cidade, neste pequeno bairro. Eu estou deixando pra trás lembranças e uma parede lilás mal pintada.

Tive de trancar a porta, pela última vez. Um último suspiro e dei adeus para aquele apartamento que foi, para mim e para minha mãe, o começo de uma nova vida. E agora? Para onde vou?

Tenho em mim algo chamado angústia. Não sei ao certo se é um sentimento, é receio, é medo do novo, do diferente, da mudança.

Esta angústia tem me dado trabalho, confesso. Lágrimas são jorradas de meus olhos todos os longos dias, lágrimas em silêncio. Tenho tido vontade de gritar, de jogar tudo pro alto, de desaparecer. Tenho tido medo, muito medo. Muito choro. Muito aperto incontrolável no coração, até parece sintoma de enfarte. Muita mudança.

- Lugar bonito – sussurrei ironicamente para mim mesma antes de entrar.

Passei a mão por uma caixa que dizia “quarto da Roberta” e um suspiro de dor profunda tomou conta do silêncio da casa vazia.

Quis fechar os olhos, quis voltar correndo pro costume da antiga casa, quis chorar, quis deitar no chão frio e esperar até que a angústia fosse embora. Nada disso foi feito.

- Eu estou aqui com você – uma voz baixa de compreensão tomou conta do silêncio que seria quebrado, até instantes atrás, pelo meu choro.

Era verdade. Ele está do meu lado, pronto para me acolher em seus braços a qualquer momento, pronto para me resgatar do receio, pronto para fazer-me feliz a qualquer momento, em todos os momentos.

Nada foi dito depois de sua frase, o único gesto que tive forças para fazer foi abraçá-lo com toda força que tinha e deixar as marcas de lágrimas em seu ombro.

Talvez isto seja o amor. Essa confiança tremenda, esta capacidade tremenda que ele, e só ele, tem de fazer-me esquecer de tudo para horas de alegria, de amor, de companheirismo, de felicidade verdadeira. De tudo verdadeiro, tudo mesmo.

Talvez esta seja a verdade: amor verdadeiro realmente acontece só uma vez, e para mim aconteceu aos 16 anos, e por você.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EU AMO VOCÊ!


Seus olhos estão fechados, você dormiu e eu não consigo parar de olhá-lo. Eu mexo e remexo em seus cabelos, eu não consigo parar de sorrir. Eu não consigo parar de imaginar.

Fecho meus olhos, eu preciso sonhar. Mas já estou sonhando, você está tão lindo. Eu estou sonhando acordada, eu estou vivendo um sonho. Eu estou apaixonada.

Imagino nós dois daqui um tempo, nós dois dando uma das mãos para uma criança que tem seus olhos, seu sorriso e minha teimosia. Imagino nós dois daqui um tempo, os dois de cabelos grisalhos, em um parque de mãos dadas. Imagino nós dois agora: é o sonho real, é o conto de fadas, é a alegria dos meus dias.

Você está abrindo os olhos, eu estou abrindo um sorriso. Já disse quão maravilhoso és? Já disse quão apaixonada por você sou? Já disse que você roubou meu coração e fez dele teu? Já disse que não saberia mais como é seguir em frente sem você? Já disse que isso tudo é amor?

- Você dormiu, amor?

- Um pouquinho.

Menti. Meus olhos se fecharam, eu sonhei, mas tudo isso acordada, tudo isso porque você, em momento algum, deixou de me abraçar.

- Hm, eu te amo.

- Eu também te amo.

Agora estamos nos espreguiçando, você me encheu de beijos. Na testa, no nariz, nas bochechas, na boca. Você me fez sentir menina, logo em seguida me fez dar gargalhada com suas cosquinhas, depois me fez sentir mulher pelo simples arrepio que seu olhar causa em mim.

- Amor, você me faz muito feliz.

Eu poderia dizer tantas outras coisas, mas no momento eu sabia que só essa frase bastaria. Ele sorriu. E o sorriso dele era o que me importava, eu diria quantas vezes fosse preciso se, todas às vezes, ele sorrisse daquele jeito para mim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

- Posso te contar uma história?

- Claro!

- Então tá…Era uma vez você e eu.

- Só isso?

- Sim.

- E não tem fim?

- É, essa é a minha parte preferida…

Pense nisso.
Não explique, não tente entender. É complexo. É amor. São quatro letras, apenas diga isso. Quatro letras que poderiam desarmar uma guerra, silenciar o acusador, dar segunda chance ao acusado. O amor é maravilhoso, tão maravilhoso quanto teus olhos. Eu amo você.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A última dose

Pai, eu gostaria que a vida tivesse nos dado mais uma chance. Pai, eu gostaria de poder tirá-lo para dançar na minha valsa de 15 anos que jamais existiu. Pai, eu gostaria que você pudesse me segurar no colo uma última vez e me fazer dormir, como se eu fosse um bebê sem proteção.

Pai, eu gostaria de vê-lo trocar de canal uma última vez, me fazendo te xingar e, em seguida, adorar o filme que você escolheu. Pai, eu gostaria que suas batatas fritas mal cortadas fossem meu almoço de amanhã. Pai, eu gostaria de ouvir mais uma vez sua voz, mas, por favor, sem lamúrias. Só um eu te amo me bastaria.

Pai, lembra de quando eu era criança e de como tu se orgulhava quando falavam que eu era parecida com o senhor? “É o mesmo nariz”, diziam. E era o que lhe bastava para abrir um sorriso. Pai, eu sei que não fui sua primeira filha, e que você queria um menino em meu lugar. Mas eu sei também que você era super-protetor, sei que eu era sua bonequinha, sua caçula e sua preferida. Eu sei que você se apaixonou por mim, mesmo eu não sendo seu futuro atacante do grêmio, como eu também me apaixonei por você.

Pai, olhe para mim se puder, eu cresci. Eu sou tudo aquilo que você imaginou? Eu estou correndo atrás dos meus sonhos, pai. Isso lhe orgulha? Sonho com algo surreal, pai. Isso faz de mim uma insana? Você acredita em mim? Eu só gostaria de lhe dizer uma coisa, para enfim cessar todo e qualquer texto que te envolva: Eu sinto sua falta.

domingo, 19 de setembro de 2010

Sem título, só amor


O tempo passava, pessoas passavam por mim, a vida passava. Nada do que eu fazia ou queria dava certo, era como se todo o mundo colaborasse para me deixar ainda mais mal – se é que era possível.

Eu precisava de ajuda, da minha própria ajuda. Eu precisava tentar, mas desisti. Eu joguei a vida toda para o alto e deixei que o mundo caminhasse por cima de mim. Eu já não era absolutamente nada, completamente irrelevante.

Você apareceu sem nada saber, apareceu em uma noite que eu tinha decidido – não para meu bem, mas para não estragar a noite das pessoas do meu lado – só sorrir. Você apareceu e viu uma garota fingindo alegria. Você apareceu e quando te olhei, me trouxe alegria.

Passageira, pensei comigo. Como tudo que era bom em minha vida. Não iria durar, eu repeti. Seria só aquela noite, você deixaria algum marco em mim e depois eu nunca mais o veria. Mas me enganei, mais uma vez me enganei. Ainda bem que me enganei.

Você trouxe de volta toda a alegria que eu nunca tive. Trouxe para mim a alegria que eu teria que ter tido há anos atrás. Você me trouxe vida, me fez viver, você me faz feliz.

E agora, na primeira oportunidade que tiver, quero jurar-te trazer pra ti essa mesma alegria. Jurar-te que serás só feliz, comigo ou com qualquer outra pessoa. Porque, alguém que fez o que fizeste por mim, merece a maior e mais sincera felicidade que o mundo tiver.


Eu te amo, e isso basta. =)

Tenho aprendido que não é o tempo que cura tudo, é a sua vontade que as coisas melhorem que são capazes de lhe curar. Tenho aprendido que muitas pessoas tentarão fazer com que você desista do que mais almeja, e que cabe a você acreditar nelas ou não. Tenho aprendido que, antes do amor verdadeiro, muitos outros lobos virão te machucar. Tenho aprendido que uma noite de sábado vale muito mais a pena quando você passa com uma única pessoa que te faz cosquinha, te morde, te belisca, te beija e diz que te ama do que em uma balada com pessoas diferentes a cada dia. Tenho aprendido que as dúvidas fazem parte da construção de um futuro, e que muitas vezes você pode errar. Tenho aprendido que a vida te prega muitas peças e que cabe a você, e só a você, mostrar para ela que é um ótimo jogador.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Conto de fadas


Quando você é pequeno, acredita que a vida é como um conto de fadas. No começo sempre haverá uma bruxa má lhe oferecendo uma maçã envenenada e, por ser muito ingênua, você comerá um pedaço da maçã. Sem problemas. O feitiço termina se um beijo de amor verdadeiro acontecer e, faltando alguns minutos para o feitiço ser eterno, o príncipe irá chegar com seu cavalo branco e te beijará. Você desencantará e irá para o “felizes para sempre” montada na garupa do cavalo branco que parece sorrir.

Quando você cresce acaba percebendo que sim, sempre haverá uma bruxa má. Muitas vezes ela não tem uma berruga, nem um nariz grande, ela é até bonita demais. Simpática demais. Querida demais. Falsa demais. Você acaba descobrindo que a bruxa má roubou o seu príncipe e chora por isso. Chora dias, meses e, um longo tempo depois, acaba descobrindo que aquele príncipe era fajuto e você agradece a bruxa má por tomá-lo de você.

Depois de muitos príncipes fajutos, você acaba percebendo que cresceu, que finais felizes só são bonitos e verdadeiros em livros infantis e que é quase impossível achar um cavalo branco na cidade grande. Então você desiste de fantasia e mergulha em algo chamado “mundo real”.

Quando o tempo passa e você já não acredita mais em nada, eis que ele aparece. Não está montado em um cavalo branco que sorri, não tem uma capa e você não comeu nenhuma maçã. Mas ele é lindo como um príncipe, e te faz sorrir, rir, dar gargalhadas, suspiros, faz seu coração bater forte. Ele faz com que você queira dizer o que nunca ouviu uma princesa dizer: eu te amo.

Você, depois de muitos príncipes falsos, encontrou o verdadeiro amor. Você, depois de crescida, descobre que nada é tão fácil como nas histórias, mas pode ser tão bonito quanto. Você se apaixona de verdade, agora. Você, depois de crescida, olha para cima e espera que o narrador diga: e eles serão felizes eternamente.
- Mãe, você é feliz?
- Por que isso agora, Roberta?
- Quero saber. Você é feliz?
- Sim, sou feliz.
- O tempo todo?
- Não dá pra ser feliz o tempo todo, minha filha. Aprenda isso.
- Por que, mãe? Eu te faço triste?
- Não tem nada a ver com você, só não dá pra ser feliz o tempo todo. O mundo às vezes te machuca, te faz infeliz.
- Mãe, há um tempo atrás eu fingia ser feliz. Agora eu sou feliz.
- Fingia ser feliz?
- É. Eu ria por coisas que não tinham graça pra causar boa impressão, sorria pra quem não queria – e não queria sorrir pra quase ninguém.
- Por que tu nunca me falaste isso, Roberta?
- Porque isso te deixaria infeliz, e eu ficaria mais triste ainda por te fazer infeliz.
- Agora você é mesmo feliz?
- Sou, mamãe. Não dá para ser feliz o tempo todo, mas eu sou feliz.
- Realize todos os seus sonhos, minha filha. Seja feliz.
- Vou dormir, mãe. Boa noite, eu te amo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Coração em alto mar

Eu estava caminhando pela beira do mar, na ponta onde a areia é fofa, molhada, salgada. Na ponta onde meus dedos podem afundar, na ponta onde eu cavava até encontrar água quando pequena. Lá... Na ponta.

Eram duas horas da manhã, eu já não conseguia olhar para nada a não ser o chão. Tudo que eu desejava, neste momento, é que o tempo voltasse. Que o tempo voltasse para onde nós nos despedimos, para onde nos conhecemos, para onde eu tive de me mudar para longe do seu abraço, seu aconchego. Tudo que eu desejava era ele à beira mar comigo.

Foi neste momento que eu cessei meu caminhar, que eu respirei fundo e ergui a cabeça. Foi neste momento que eu me virei de frente ao mar, e que eu sorri ao lembrar dos seus olhos. A perfeição que seus olhos tinham, as cores diferentes e harmoniosas que só seus olhos tinham.

Uma lágrima escapou dos meus olhos e me fez sentir saudade. Foi neste momento que eu senti um toque quente envolver minha cintura, e eu reconheceria o toque daquela mão em qualquer lugar do mundo: era ele.

Eu poderia perguntar como ele chegou até onde eu estava, mas eu sabia que havia deixado rastros desde a última vez que o abracei. Eu poderia perguntar se ele tinha vindo à passeio ou “à sempre”, mas pelo seu sorriso eu tinha certeza que ele estava na minha frente num momento chamado agora, e eu respiraria tudo o que pudesse deste ar.

- Eu te amo, você é tudo pra mim!

Foi a primeira frase desde que havíamos nos distanciado por uma decisão que não era nossa. Foi a primeira frase e a última ali naquele lugar, naquela areia, naquela ponta, naquele mar, naquela praia. Foi a última frase antes dos nossos lábios se tocarem, a última frase antes das estrelas caírem e nos proporcionarem a eternidade, a chuva de prata. O amor. Nosso amor.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Desabafo de um coração apaixonado

Você não é nem um príncipe, mas age como se fosse tal. Eu não sou uma princesa, mas já fiz papel de anão da Branca de Neve – isto conta?

Eu não lhe conheci em um castelo, tampouco perdi meu sapato de cristal para você encontrar. Mas você encontrou o meu olhar e, consequentemente, me fez perder o jeito que eu havia encontrado para respirar.

Quando você apareceu, eu não estava em apuros, mas você me resgatou de um mar passado de ilusões. Você fez-me feliz, e não precisou fincar uma espada em um dragão para isso.

Talvez, no fim das contas, eu seja uma princesa. Talvez, nesta história que alguém escreveu, você seja meu príncipe. Talvez esteja mais do que na hora de construirmos não só um final feliz, mas um início, um meio e um eternamente feliz.

Porque, meu amor, eu já posso escutar uma voz ao fundo dizendo:
“O príncipe a segurou em seus braços e os dois viveram felizes para sempre.”

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Than one


Viajar pelos teus olhos, até algum lugar onde meus pés desajeitados possam tocar as delicadas nuvens.
Levar-te comigo para qualquer lugar que só exista nós dois. Levar-te para longe, para algum lugar em que sejas só meu. Algum lugar que nunca irão nos encontrar. Algum lugar que seja possível viver apenas de amor.
Querer-te a cada dia, a cada momento, em qualquer lugar.
Precisar-te, nem que seja – ao menos – para me ouvir.
Abraçar-te, pelo simples fato de me sentir única em teus braços. Teus aconchegantes braços. Abraçar-te forte, dormir em teus braços. Teus braços. Meu ninho.
Beijar-te com amor, com vontade. Beijar-te o nariz, a testa, a bochecha. Beijar-te a boca. Tua encantadora boca.
Jurar-te fidelidade, compreensão, carinho, atenção.
Amar-te para sempre. Eternamente. Amar-te em cada detalhe, em cada vão, em cada alegria, em cada tristeza. Amar só a ti. Para sempre, só a ti.

domingo, 8 de agosto de 2010

Amiga


O que é ter 17 anos? Bem, eu não sei.


Acho que é você estar quase pronta para ser uma mulher de verdade. Penso que é a idade em que você ainda está se preparando para as várias cobranças que estão por vir. É uma idade meia. Um meio entre seus 16 anos e aquilo que você queria (le-se: entrar nas baladas sem ID falsa), e seus 18. Ah, 18...Aquela idade em que você vai tirar carteira e vir me visitar um final de semana por mes. Porque nós ainda seremos amigas, mais amigas do que nunca.


Eu te devo parabéns, não é minha amiga? Devo chegar naquela parte dos parabéns em que todos dizem que te desejam saúde, felicidade, amor, vários gatinhos, e pra ti jamais deixar de ser como és. Que besteira, não é? Tu deves mudar.


Você será, algum dia, mais ainda do que já é hoje. Acredito no teu talento pra qualquer coisa que tu venha querer fazer, por enquanto acredito que tu serás a melhor fisioterapeuta de toda Santa Catarina. Mas você pode mudar de ideia, faz parte dos 17 anos. Isso se chama dúvidas. Dúvidas fazem parte da nossa vida, ainda mais de uma adolescente de 17 anos.


Então, minha amiga, eu continuo à te desejar saúde, amor, meninos e sucesso, mas desejo que tu mude. Mude uma, duas, três e quantas vezes tu quiser ou tiver de mudar. Porque tu pode! Porque tu é a Ana Paula, a torcedora mais fanática do são paulo e a única que tem o dom de fazer as pessoas felizes quando elas estão mal. Tu é foda!


Eu te amo muito, muito mesmo. Feliz 17 anos e dois dias.


ps: tu está sendo representada pelo cachorro. Sem mais.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mais uma dose mortal de fantasia


Eu estava frente a frente com o espelho, respirando e soltando o ar como em muitas aulas de educação física fui ensinada. Eu estava nervosa, isto era óbvio. Era perceptível até na minha fala. Foi quando ele chegou.


Suas mãos tocaram meus ombros e, em um gesto de carinho ou encorajamento, apertou três vezes as pontas dos dedos sob meus ombros tensos.


- Está nervosa, minha filha?

- Um pouco, papai. Um pouco.


Ele me virou pra frente dele e deu o meio sorriso que eu mais gostava. Eu adorava ver como os fios grisalhos de seu bigode se moviam, eu ria e ele sabia bem o motivo.


- Você vai passar, ande. Me de um abraço e vamos para o carro.


Foi quando ele abriu os braços e eu me aconcheguei, foi ali que ele começou a cantar a canção de ninar que havia feito para mim quando eu ainda era um bebê. Como eu amava ouvir sua voz cantando para mim. Sua maravilhosa voz desafinada de pai.


Seguimos viagem até o colégio. Os corredores pareciam longos demais e, em nenhum minuto, ele saiu do meu lado.


Corri até o mural verde-musgo onde estava a folha dos aprovados. Driblei inúmeros estudantes. Alguns comemorando, outros chorando e já pensando no ano que vem.


Meu nome estava lá. Lá em cima, bem no alto. Eu sorri e gritei, aquela figura maravilhosa já estava à minha espera. Novamente de braços abertos, novamente formando o meio sorriso.


- Obrigada, papai. Obrigada por mais uma vez estar em um momento decisivo da minha vida. Eu lhe amo, senhor Roberto. Lhe amo de toda alma!



É, pai, como eu gostaria que tudo isso fosse real. Eu sinto sua falta.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Hoje vai ser, mais uma vez, vou acordar sem você do meu lado

"Olá, papai. Como o senhor está? Bem, minha irmã disse que o senhor ficaria muito feliz em ler uma carta minha, por isso estou lhe escrevendo. Gostaria de compartilhar o amor que eu tinha para lhe dar, e a dor que estou sentindo neste momento.

Eu me lembro de vários episódios que te envolvem, lembro muito bem do seu bigode já com fios grisalhos, lembro-me dos textos e poesias maravilhosas que o senhor fazia pra mim. Eu ficava encantada com cada vírgula.

Me diga, papai, o que aconteceu? Hoje, depois de três anos, escuto das pessoas à minha volta que o senhor é um monstro, e que eu não deveria lhe chamar de pai. Mas, papai, eu lhe amo. Mesmo com todos seus erros, defeitos, mesmo sem nem se quer ouvir sua voz há mais de dois anos, você me proporcionou muitos momentos felizes.

Eu sei que o senhor nunca foi de demonstrar amor, mas eu gostava das nossas brigas constantes pelo controle da televisão, amava suas batatas fritas, seus almoços de domingo, seus churrascos, as Barbies que o senhor me dava.

Eu sinto sua falta, papai. Eu realmente sinto. O dia dos pais está chegando, sabia? E, só nesta semana que se foi, eu me senti mal pelas propagandas dizendo "dê ao seu pai isso, aquilo, aquele outro", já chorei com a música Pai, do Fábio Jr em uma novela chata das seis. É que eu realmente sinto sua falta, o senhor sente a minha?

Eu sei que nunca fui a filha perfeita, mas todos dizem que eu lembro você. Que eu sou branca como o senhor, e que meu nariz é de batata feito o seu. Por que o senhor se foi?

Papai, você é um monstro? Você se curou daquele vício? Por que você não conversou com a mamãe, por que tentou bater nela e a fez tão infeliz? Ela não merecia, papai. Ela é a minha melhor amiga, você a magoou. Mas eu ainda o amo.

Por favor, se eu mandar esta carta para o senhor, não chore. Eu não gostaria de saber que minhas palavras o fizeram chorar. Eu não acho que o senhor seja um monstro, papai. Mas o senhor está fazendo tudo errado.

O senhor já está um pouco velho, papai. Eu não quero que o senhor se vá para sempre sem um último beijo meu, um último adeus se quer. Eu lhe amo, senhor Roberto. Lhe amo feito um pai."

Depois disso joguei o papel molhado de minhas próprias lágrimas no lixo do meu quarto. Ele nunca saberá tamanha falta que me faz.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pétalas


Um quarto branco e várias pétalas de rosa espalhadas pelo chão. Este era meu momento. Nosso momento.

Sorri ao ver seus olhos atenciosos me fitando, tentando decifrar qualquer coisa que fosse. Tentando encontrar, em cada vão do meu rosto, sentimentos. Como ele não conseguia enxergar toda minha ansiedade e felicidade?

Fechei os olhos e esperei seus lábios tocarem os meus. Eu nunca havia me sentido assim. Eu nunca estive tão apaixonada a ponto de me entregar assim.

Eu era dele, não havia mais dúvidas disso. A cada toque das suas mãos macias, a cada sussurro de “eu te amo” em meu ouvido eu tinha mais certeza do que estava fazendo.

Com o passar das horas e com as estrelas que tomavam conta do céu eu já não estava mais ansiosa e, sim, satisfeita. Feliz. Ainda mais apaixonada.

Eu me sentia de alguma forma, mulher. E sentia o amor, e isto até chegava a ser engraçado. Eu jamais havia sentido amor recíproco e hoje, particularmente hoje e para sempre, eu respirava amor verdadeiro.

Adeus

- Um brinde, meu caro espelho. À nosso primeiro mês de solidão. Levantei a primeira taça da minha segunda garrafa de vinho enquanto olhava as marcas deixadas em meu rosto por uma leve mistura de lágrimas e delineador preto.

Um mês. Trinta longos dias desde que ele partira. Como eu pude? Como? Qual é o meu problema? Por que eu não cuidei dele melhor? Eu sabia do seu longo histórico de doenças, sabia que este dia chegaria. Eu temia isto.

Ainda me lembro do seu rosto pálido e seus lábios – antes tão vermelhos e vivos – sussurrando alguma coisa que pensei ter sido “seja forte”. Ainda lembro-me bem de seus olhos fechando vagarosamente, como se quisessem dormir para sempre. Como se precisassem fechar, como se já não houvesse força nenhuma naquele corpo para mantê-los abertos, vivos, serenos, cheios de paz.

- Do que adianta, não é? Irá chorar agora, você tem certeza que irá fraquejar? Ele mandou você ser forte. Seja forte!

Foram minhas últimas palavras antes de atirar a taça no chão, deitar sobre a velha cama onde ele havia partido e chorar.

De nada importava a vida. Certamente as paredes não contariam para ninguém este meu momento de fraqueza. Eu precisava disso. Necessitava deste choro como se fosse o único modo de me manter viva. Me sentir viva. O único modo para mostrar para as cortinas – que neste momento tampavam o indesejado sol – que eu estava viva. Que havia um milhão de motivos para eu continuar com a vida. Um milhão de motivos que algum dia eu descobriria. Sem cessar eu buscaria um destes motivos.

Ps: Desculpe, eu não posso desistir.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cinderela

Era sábado à noite, uma das noites mais esperadas para aqueles acostumados a sair. A noite mais aguardada para esquecerem os problemas dos cinco dias antecedentes. A noite que, por muito tempo, foi aguardada por aquela menina. “O começo de sua adolescência” à diziam. Ela finalmente se enxergaria como normal aos olhos alheios. Ela sairia.

Delineador nos olhos, vestido preto e a garotinha da mamãe já não parecia mais tão inha. O sorriso no seu rosto entregava toda ansiedade que ela sentira, seus olhos entregavam a satisfação do jeito como ela estava. Fazia tanto tempo que não sorria para o espelho.

Finalmente chegou. O relógio marcava 22h30 quando ela entrou pela porta da frente. Fitava tudo com cuidado, maravilhada com cada detalhe. A música ainda estava baixa e, sentada no sofá com três amigas, ela ria de algo que não consigo lembrar.

Meia noite. Agora, com a música alta e o banheiro protagonizando a cena de uma garota bêbada, o jeito era dançar.

Cantava as músicas que sabia, dançava no ritmo das que nunca ouviu, e foi assim até seus olhos encontrarem o que ela não procurava.

Ficou difícil acompanhar o ritmo, ela já havia esquecido todas as letras decoradas, e respirar parecia ser impossível. Ele era lindo.

Por mais que a garota procurasse, ela já não via suas amiga. Ela não conseguia ver mais ninguém. Seus olhos inconsequentes não desgrudavam do garoto e, quando ele olhou para ela, a garota não se conteve. Sua nuca arrepiou e seus lábios, como em câmera lenta, formaram um sorriso.

O tempo ia passando, nenhum garoto naquele lugar era mais bonito que ele. As músicas acabavam e começavam – feito um ciclo -, as luzes piscando já não a incomodavam como antes. A única coisa que a perturbava era a forma tão intensa que ela queria aquele garoto.

2h45 da manhã. Aconteceu. Ele sussurrou – ou talvez até gritou – seu nome perto do ouvido da garota, e isso explica o porque do arrepio voltar. Seus lábios delicadamente, e sem acompanhar a música barulhenta, tocaram os da garota e, a partir dali, toda aquela noite fez sentido para ela. Nunca pensara que um sábado à noite pudesse trazer tanta magia.

3h38 da manhã. Um encostar de dedos em seu ombro a fizeram acordar: era hora da Cinderela ir para casa. Carregou consigo o nome do garoto, deixou com ele um pedaço seu.

Saiu pela porta da frente, novamente. Seu coração apertado suplicava um pouco mais, a razão já não importara. Com ela ficou a certeza de que seria com ele que iria sonhar.

sábado, 22 de maio de 2010

Me and U

- Moça, por favor, a senhora está aqui faz duas horas.
- Só mais um segundo, ele vai chegar. Eu sei que vai.
- A senhorita não gostaria de tomar nem uma água?
- Isso fará você me deixar sozinha? Se sim, por favor, sem gás.
E assim saíra da minha frente aquela imagem de um típico garçom de botequim.

Chamo-me Roberta, tenho 22 anos e sabia muito bem que ninguém viria. Afinal, quantos bares com garçons inoportunos o Rio de Janeiro possui? Aliás, será que ele já havia voltado pra cá? E será que era mesmo este bar que ele vinha com os amigos há seis anos atrás?

Por um segundo me dei ao privilégio de esquecer que estava em um lugar público e de que havia várias pessoas ao meu redor e pus as mãos nas bochechas para limpar as silenciosas lágrimas. Será que ele me esquecera, ou será que ainda sonha comigo nos tempos livres?

Viver não tinha mais muito sentido desde que decidimos que o melhor para ambos seria esquecer algo que jamais daria certo. Viver não tinha mais sentido desde que, por acreditar que havíamos crescido, deixamos de lado o mais sincero sentimento.

- Aqui sua água, moça. Sinto muito por ter aborrecido.
- Ah, obrigada. Tudo bem.
Será que uma gorjeta o faria me deixar sozinha? Não, a errada era eu. Aquele lugar poderia ser ponto de encontro para tudo, menos para uma pessoa que precisava chorar.

Resolvi sair dali, para isto tive que esbarrar em duas pessoas e ouvir duas buzinas até, finalmente, estar tocando na areia fofa à beira mar. Andar mais um pouco me faria bem, estava mais do que na hora de enfrentar aquele lugar que tanto sonhei ir junto dele.

Um emaranhado de pedras que, mesmo com a escuridão da meia noite, era surpreendentemente maravilhoso. Será que este ainda era seu lugar preferido? Será que alguma vez ele pensou em mim sentado neste mesmo lugar? Só por precação resolvi tocar com toda delicadeza que nunca tive nas pedras e, por ironia ou fantasia demais, sorri.

Talvez a vida seja realmente injusta, ou ela simplesmente não goste de pessoas sonhadoras, mas eu continuaria sendo uma. E, para provar isto a ela, continuaria a procurar por seu sorriso em cada canto desta imensa e turística cidade, mesmo que, para isso, houvesse de pagar gorjetas para muitos garçons.

Como você se sente agora?

É, exatamente, você está bem? Algum problema o perturba? Porque eu não me sinto nada bem.

Na realidade, acho que venho cavando um final terrivelmente não digno de filmes infantis recomendáveis para creches. Para falar bem a cruel verdade, talvez eu me sinta um tanto quanto inútil.

Hoje de manhã, ao acordar, me deparei com um dia esquisito. Hoje de manhã, ao acordar, me deparei na forma de como sou esquisita. Talvez eu seja da mesma forma que este sábado: minutos de chuva, sol, outros minutos de chuva. Talvez eu seja um típico dia de inverno, daqueles que ninguém gosta de passar. Aqueles dias de inverno que não precisavam existir. Talvez eu não precisasse existir.

Passei o dia a imaginar no que eu poderia ser útil e para quem o faria. Pensei e repensei inúmeras vezes na minha família e amigos, e por mais que meu amor por eles – principalmente meu amor pelo sorriso maravilhoso da minha mãe – seja incondicional, não foi o suficiente para ter certeza que eu estou vivendo por algum motivo.

Ora, uma dose de sinceridade não matará ninguém: eu não encontro motivo nenhum para estar aqui, vagando em uma cidade qualquer, com pessoas quaisquer, carros e ruas infinitas e sem um caminho que eu realmente queira seguir.

Talvez eu só não seja especial, como achei que todas as pessoas vivas fossem. Talvez nós simplesmente nasçamos sem obrigatoriamente ter uma missão a seguir. Talvez a normalidade da vida que levo me perturbe. Talvez, por desejar mais, eu me sinta tão sozinha até os últimos e incansáveis dias da minha pacata vida suburbana.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu sei

Eu sei que, desde que nos separamos, as noites tem sido difíceis para você. Sei que, ao fechar seus olhos, você deseja meu corpo quente e o toque da minha mão para aquecer as mais frias ventanias.

Sei que você ainda anseia pelo gosto adocicado da minha língua a explorar cada centímetro perdido de sua boca. Sei que você suplica ouvir o som da minha voz da mesma maneira que eu imploro um telefonema seu, mas que história é essa de orgulho, garoto? Achei que fossemos mais fortes do que isso.

Eu sei, eu tenho plena certeza, que você ainda vê meus olhos meio amarelos e a forma engraçada que terminávamos uma briga. Sei que ainda perturbo seus sonhos, sei que nada se foi definitivamente para você, e sei que as lembranças estão em sua volta, em qualquer lugar que seus olhos tentem se esconder.

Não se culpe por isto. É desta mesma maneira que te desejo. Desta mesma maneira que sonho com seu beijo, seu corpo, seu sorriso. É desta mesma maneira que persisto em dizer que o amor, se realmente houve amor, não acabou. Não enquanto eu tremer as pernas ao te ver.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lhe culpe

Não me culpe por ser diferente. Não me culpe por gostar, de uma forma até mortal, de sofrer. Não me culpe por ler textos tristes, não me culpe por não seguir uma moda fútil. Não me culpe pela minha incapacidade de escrever algo bom, também não me culpe pelos erros em parágrafos. Não me culpe por ser do meu jeito, por ser insana aos olhos da sociedade. Eu sou deveras frágil, não me culpe por mais isto. Eu gosto assim. Eu adoro assim. Eu amo assim. Ser diferente assim, rir assim, gritar assim. Afinal, quem seria a Roberta se não fosse assim?

É, eu caí

Eu reconheceria de longe aquela pista no meio das árvores altas e verdes, mesmo depois de anos. Era o parque em que todas as crianças da cidade se reuniam, era o parque cujo escorregador era o mais alto de toda cidade.

Eu estava andando sob as pedras presas no chão, saltando por cima das quebradas, rindo comigo mesma até meu súbito ataque de nostalgia ser interrompido por uma voz que eu reconheceria mesmo a mil passos de distância.

- Vamos, filha. Anda, é a última descida. Seu pai já deve estar com o churrasco quase pronto e eu nem comecei a salada de batata ainda.

Lá estava. Uma pequena menina de olhos azuis, cabelos dourados e encaracolados nas pontas pronta para descer o mais alto escorregador que ela já vira em sua vida. A dona da voz melódica estava bem aos pés daquele monstro prestes a ser domado pela garotinha, e ela sorria junto com a filha.

Estaria eu sonhando mais uma vez? Logo pensei: o típico churrasco da família Lucena Cidade. E sorri ao lembrar a carne mal passada preparada por papai, era uma manhã inteira de preparo. Mas, segundos depois, lembrei-me que nunca fomos uma família, ou melhor, nunca fomos felizes. Não juntos.

Mal sabia aquela garotinha que, dez anos depois, seu papai não estaria mais ali e os churrascos de domingo seriam extintos completamente de seus fins de semana. Mal sabia aquela garotinha de olhos tristes que teria de amadurecer rápido e cedo demais para cuidar e aconselhar sua mamãe. Mal sabia ela que seus problemas não seriam tão fáceis quanto descer deitada o escorregador.

Agora o escorregador era um precipício, e quem estava no topo dele era eu. Sem saber o que fazer, mais uma vez. Era eu sem saber se me machucaria ao pular dali, ao saltar em queda livre daquele que antes era um mero brinquedo. Era eu, mais uma vez - e por causa das malditas lembranças -, sem saber como ser feliz, e se seria ao saltar sem volta dali.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Felicidade

A felicidade pode ser muito perigosa quando praticada por pessoas sonhadoras. Ela pode ter um efeito mortal quando resolve partir, deixando quem quer que seja com a triste ideia de querer sumir para qualquer lugar em que sentimentos não sejam as válvulas que movimentao o ser, o viver.

Engraçado a forma com que me sinto: feliz como em muito tempo não fui. Feliz e com medo, medo do amanhã. Feliz e com medo que tudo acabe, feliz e com medo de respirar a verdade de que nada, absolutamente nada dura para sempre.

Resolvi esquecer. Jogar pra cima toda e qualquer insegurança, jogar pra cima junto com minhas mãos, meus cabelos. Jogar pra cima e pular, saltar. Esquecer de que o amanhã irá chegar, lembrar de que o hoje está sendo belo demais para me preocupar.

Que bonito é rimar! Que bonito é ser feliz, que bonito é não me preocupar com este texto, simplesmente pelo fato de que ele está, em cada espaço do Word, cheio de sentimentos balbuciados e mal pensados, sentimentos meus, seus, sentimentos felizes.

Olhe para cima agora e sorria, afinal, vocês já viram como é belo o amanhecer?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vida em morte

Era trinta de Julho, eu me lembro muito bem dos detalhes. Eu era apenas uma garota, meus cabelos presos em um rabo-de-cavalo aparentavam-me 12 anos, mas eu não os tinha. Eu era uma garota, sim, com toda certeza era. Só que era uma garota de 16 anos, uma pequena e indefesa garotinha.

A praça nublada ainda faz cenário ao que eu achei ser um filme de terror. No meio daquela nuvem formada, respirar me doía, cansava. Eu estava sozinha, com medo e frio. Eu estava precisando de alguém que me mostrasse o caminho para sair correndo dali, daquilo que, pelo menos quando o sol resolvia aparecer, era tão belo para se brincar.

Não estava nos meus planos encontrá-lo ali, ao vê-lo em minha frente achei estar vivendo um sonho. Mas que estranho seria eu ter a certeza de que era apenas um sonho. Não, não era. Ele havia de ter me deixado há, pelo menos, dois anos. Meu primeiro amor, meu primeiro namorado, minha primeira derrota. A morte venceu e tomou-o de meus braços.

O nó em minha garganta pareceu real demais para quem estava vivendo apenas um sonho. O inalar quente, a dificuldade em formar palavras...Tudo pareceu real demais para dizer que era mera fantasia.

Uma eternidade se passou em minha mente, segundos passaram realmente, até que meu cérebro mandasse meus lábios jogarem em cima da estátua em minha frente uma enxurrada de palavras tremulas demais, reais demais.

- O que você está fazendo aqui? Eu estou sonhando? Por que sei que estou sonhando? Você...Você morreu.

Ele sorriu pra mim, um sorriso que eu pensei ser triste e, naquele instante e pela primeira vez desde que ele se pôs em minha frente, percebi que ele não havia mudado em nada. Seus cabelos ainda estavam do mesmo comprimento, seus olhos ainda eram os castanhos mais belos que eu já vira, sua boca era aquela que eu tanto adorava, e seu sorriso ainda me trazia paz.

Sim, eu morri. E agora você veio ficar comigo, meu amor. A morte nos deu o reencontro. Disse ele, olhando em meus olhos e transparecendo a verdade da frase.

Tentei me concentrar o máximo possível em sua frase, e não na sua voz grave que me fez sorrir tantas vezes. Lembrei-me, então, de que desde que ele se fora eu andava triste demais, doente demais. Lembrei-me, também, que eu pedira tantas vezes para ficar perto dele. Jamais pensei que seria atendida.

Morrer não era mais o filme de terror do início, aquela neblina e aquele parque - que realmente não era o de minha cidade natal - estavam mais belos. Se eu forçasse meus olhos até enxergaria a grama verde e as flores brotando.

Eu não estava morta. Em corpo, obviamente, estava. Mas minha alma renasceu! Eu voltara a vida, a vida que achei na morte. Depois de dois anos de espera, eu finalmente o vi. Eu finalmente sorri. Eu finalmente me tornei eterna. Uma eternidade pronta para viver pra ele, por ele, com ele.

domingo, 4 de abril de 2010

O amor é o dom supremo

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz incovenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo língua, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém, o maior destes é o amor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Não, o tempo não para

Que bonito seria se o tempo realmente curasse tudo. Bonito seria se ele, o nosso precioso tempo, cicatrizasse até o maior machucado. E ele cicatriza, quando se fala de feridas externas, ele cicatriza. Cicatriza a casca onde escondemos o que realmente queremos que cicatrize, sare de vez: a dor do coração.

Aquele órgão que rotulamos ser a peça chave do amor. Até desenho dele o ser humano inventou, somos estranhos. Sim, vou mais longe... Nós, seres humanos, somos anormais. Voltemos às cicatrizes.

Bem, quem dera a nós se o tempo fosse tão forte que pudesse ser capaz de retirar até o mais profundo desgosto, mais profundo sentimento ruim., Quem dera a nós se o tempo fosse tão bom quanto dizem.

O tempo não é nada, mais muitas vezes pode ser tudo. O tempo serve para nós deixar mais velhos, não sejamos rudes: mais "experientes". Óbvio que existe muitos senhores pós 70 sábios, mas não foi o tempo quem os fez assim. Foi a vida.

Ai, a vida. A vida sim deveria ser algo vangloriada, exaltada, comemorada. Cada segundo (reparem no tempo) deveria ser intensamente vivido. Mas não é bem assim, nós jamais daremos o valor que a vida merece. Somos tão bobos, tão programados por frases feitas, que continuaremos a dizer: "o tempo é o melhor remédio".

E enquanto o seu tempo passa, eu continuo aqui. Enquanto a cada instante eu vou ficando mais velha e mais triste, continuo aqui. Continuo a esperar que uma mistura fatal de tempo me leve embora. Para onde? Além dos seus olhos. Continuo a esperar que o tempo seja companheiro, que ele faça valer toda essa espera angustiante. Continuo a esperar que o tempo, o nosso amado e idolatrado tempo, traga você para mim.

Natal

A chuva cai por de trás do vidro, os relâmpagos formam no céu um espetáculo parecido com fogos de artifícios brancos. Tão belos seriam se não fizessem tanto estrago. A chuva cai por de trás do vidro e com ela caem ideias. Minhas ideias, minhas inspirações. Tudo jogado no chão, tudo em uma grande poça.

Hoje seria um dia chuvoso normal, tirando o fato de ser 24 de Dezembro, véspera de natal. A época do ano em que não preciso de um motivo maior para sorrir, a única época do ano em que não preciso.

São duas horas da tarde, e o cheiro da ceia que mamãe prepara começa a se entranhar pela casa, fazendo meu estômago criar vida. São duas horas da tarde e eu, ao invés de ajudar com a sobremesa, estou trancada em meu quarto, abraçada a um pedaço de papel amassado e uma caneta BIC que já falha pela terceira vez.

Não sei o que aconteceu, mas está véspera de natal me deixou nostálgica. Me fez lembrar de todo um passado, até mesmo dos momentos em que lutei para apagar. Nem o cheiro delicioso e as risadas empolgadas vindas da sala me fizeram ter vontade de sair e me divertir também.

Que triste falar assim. Que triste é ser triste em uma época onde, em todos os cantos do mundo, há risadas e sorrisos nos rostos. E por que eu? Por que escolher a mim, tristeza? Por que justo na época em que eu mais gosto? Ou gostava.

Tudo bem, daqui a pouco todos irão se reunir embaixo da árvore, trocarão presentes e meu irmão irá perguntar como papai Noel adivinhou exatamente o que ele desejou durante o ano. Eu irei sorrir para ele, em troca ele me mostrará a língua e mamãe irá intervir com uma de suas frases clichês: não briguem pelo menos hoje, é natal.

O natal é maravilhoso, mas esta chuva me atrapalhou. Atrapalhou o que eu planejei dura o ano inteiro, atrapalhou a felicidade que o natal trazia consigo, atrapalhou pelo menos para mim.

Eu sei como este dia irá prosseguir: ficarei mais duras horas olhando para meu espetáculo particular de fogos, limparei as lágrimas no canto dos meus olhos, lágrimas estas que o relembrar me trouxe. Sairei do quarto com um sorriso forçado, sorriso este que se tornará sincero quando toda a família sentar no sofá e começar a contar como meu primo nasceu, e que naquele horário, há tantos anos atrás, todos estariam passando o natal no hospital, rezando pela sua chegada triunfal. Terminaremos nosso natal rindo da cara do vovô e das palhaçadas que ele faz por beber uma dose a mais de vinho, ficaremos assustados quando vovó ficar nervosa e começar a tossir. Mas no fim, não tão esperada meia noite, todos irão se abraçar e eu sentirei o amor transpirar por mim e por todas as pessoas queridas ali presentes.

E eu sei o porquê de estar "menos feliz" do que nos natais antecedentes, mas as linhas deste meu rascunho estão no fim e falar sobre isso acabaria me deixando mais de duas horas a admirar o céu. Céu este que eu trocaria para estar em outro lugar: nos teus braços. Braços estes que eu desejei com todas as forças que estivesse por perto pelo menos hoje, ao menos agora que tanto preciso... E o papel, uma vez apenas amassado, agora está borrada por minhas lágrimas natalinas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mente triste

Em uma mente triste, sonhar com chuva não é algo constante, deveria ser vangloriado. E por quê? Simples. Depois da chuva o sol aparece, trazendo consigo um emaranhado de cores que rejuvenesce a alma, faz dançar.

O triste sonho de uma mente é a neblina. Aquela camada grossa que nos cobre a visão, nos deixa cegos, por ventura frágeis. Impede-nos de procurar e encontrar a felicidade, nos deixa vulnearáveis a qualquer tipo de golpe, nos faz tropeçar em próprios passos.

Minha mente vem sonhado noites à fio com uma floresta nublada, e tentei de inúmeras formas dar alguma luz, qualquer pequeno ponto que fosse, para ela...Em vão. Tentei, de todos jeitos que sonhar permite, dar a garota dos meus sonhos o garoto que ela tanto desejou. De nada adiantou.

O passar das noites só deixavam a neblina cada vez mais profunda, e o garoto que ela julgara ser seu eterno amor cada vez mais distante.

E aquela garota que, há algum tempo, carregava consigo apenas uma mente triste passou a ter passos tristes, voz triste, olhos pesados de angústia.

E eu ainda rezo por essa garota, essa garota na qual me espelho, que sou. Ainda rezo por uma noite, um passar de horas noturnas em que ela sonha com a chuva. Ainda rezo para que o garoto caia em seus braços. E, que a partir daí, enfim, o emaranhado de cores domine sua cida. Sua recém e inacabada vida.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Será só imaginação?

Era meia noite de quinta-feira, o cansaço estava pesando sob meus olhos - e as lágrimas também. Decidi, após arrumar meu travesseiro e me esconder debaixo das cobertas, pedir em minhas orações uma noite com sonhos. E fui atendida.

O frio aparentava ser de uma típica noite de outono, a neblina deixou minha vista embaçada. Tive de passar os dedos pelos meus olhos duas vezes até ter certeza de quem estava em minha frente. Perfeitamente desenhado em minha frente, bem onde meus olhos cansados o pudessem ver.

Era incrível como ele conseguia, a cada dia, ficar mais bonito. Era incrível, também, como seu sorriso me comandava. Como se eu fosse uma eterna e fiel serva dele. E eu jamais reclamaria disto. O sorriso dele sempre foi o motivo do meu, e agora ele estava ali. Bem em minha frente, pronto para me fazer feliz.

Respirei fundo duas intermináveis vezes, contive - ou tentei conter - meu sorriso. A cada segundo que passava eu estava mais próxima dele e de sua perfeição humana. Logo, eu estava dando vida ao que era sonho, eu estava deslizando meus dedos cheios de sentimentos pelo seu rosto.

Confesso, eu sabia que era um sonho. Confesso novamente, eu preferia não acordar. Se sonhar com ele fosse a única maneira de tê-lo, eu faria isso direito. E, com este pensamento, eu corri para seus braços. Eu me afundei em seu peito, eu suspirei de paixão. Eu sorri, eu finalmente sorri! E enfim tive meu mais profundo desejo realizado: seus lábios tocaram os meus. Era um beijo de ilusão, um entorpecente fatal, era um sonho. O melhor sonho de minha vida.

O triste de um sonho é a forma como ele tem de terminar. É como se fosse um ciclo, com toda certeza eu não reclamaria de acordar se fosse um pesadelo. Mas foi um sonho, um sonho com toque real, um sonho tão bom...E ele teve de terminar. Não que a realidade seja algo terrível. O triste dela é a distância entra algo e outro, uma pessoa e outra. Um amor e outro.

Na manhã seguinte, antes de qualquer outra coisa, eu sorri de olhos fechados. Sorri para mim mesma, para o meu coração, para ele. Eu gostaria que ele pudesse ter visto que, até ao acordar, o motivo dos meus risos eram todos de mérito seu. E mesmo que pareça bobo, é uma consequência. Ser bobo, parecer bobo, é uma consequência. Uma consequência do amor. Do sentimento mais bobo e sincero que existe. Do sentimento que me fez sorrir por um sonho, do sentimento que me faz respirar por alguém. Ai, o amor.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Querida amiga,

É com profundo alívio que digo a ti, através deste pedaço meio amassado de papel, que sua companhia - uma vez essencial - é irrelevante neste momento para mim.

Estou consciente dos amigos que perdi por sua causa. Sim, amiga, por sua causa. Você me prendia, era egoísta, me queria só para você. Eu era seu fantoche, e muito fácil de moldar. Eles se cansaram de secar as lágrimas que você fazia inundar pelo meu rosto. Eu também cansaria.

Peço que não me procure mais. Foi difícil, mas eu aprendi a viver sem sua presença. Você deverá fazer o mesmo.

Antes de ir em busca de outro alguém, por favor, devolva minhas roupas coloridas e leve consigo o CD de músicas melodramáticas que me destes em comemoração aos meus 15 anos. Será legal poder rir sem você para calar meus lábios.

Não fui feliz durante o tempo que passamos juntas, e pela primeira vez depois de muitos meses, posso sorrir verdadeiramente.

Sua inimiga, a Alegria, pediu com muita delicadeza para ser meu novo par. Não se zangue por eu ter aceitado, algum dia você irá ver que eu lhe dei a mesma oportunidade.

Espero que você fique bem, Tristeza. Do fundo do meu coração, espero que seu próximo companheiro te faça mais feliz. Eu sei que tentei, mas pelo visto não cheguei nem perto. Claro, pelo contrário, você me puxou para sua maré de dor e lágrimas sem motivos.

Seja feliz. São meus sinceros votos. Votos de uma ex, e fiel, melhor amiga.

Com amor, Roberta.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Verdade dói?

Dizem que a verdade sempre é o caminho certo, independente sobre o que possa estar se falando. Dizem que a verdade sempre aparece, mesmo que sejam anos depois. Mas nunca disseram, pelo menos para mim, que falar a verdade pode acabar queimando a garganta. Então, nada mais sensato do que poupar a garganta e apenas descrever a verdade. Uma verdade nova e muito, muito dolorosa.

Você parece mais feliz desde que não faz mais parte da minha vida. Conversar com outras garotas, de uma maneira mais aberta, ficou fácil para você, ao que me parece. Posso encaixar neste parágrafo a felicidade deste teu belo sorriso. Quantas vezes lhe pedi para deixá-lo presente em seus lábios? Agora, desde que parti, ele virou teu companheiro de todas as horas.

É verdade, também, que sua falta me martiriza. Quero dizer, esquece... É isto mesmo que quero dizer: martiriza. Olhar você tão perto e não poder dizer o quanto sua falta é grande, o quanto ainda desejo você antes de dormir, é doloroso demais.

E, o que ainda me faz respirar é que, junto com a lição da verdade, me ensinaram que o tempo é capaz de curar tudo. Quase tudo.

São inúmeras as vezes que já olhei meu reflexo no espelho e suspirei para o vazio do quarto: o tempo vai te apagar. E mesmo que isto seja uma grande mentira, mesmo que o tempo não te apague... Bem, eu continuarei repetindo para mim mesma. E, se isto é só uma mentira, fique tranqüilo. A verdade vai aparecer no meu reflexo e, mais uma vez, eu irei chorar a abstinência de você.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Para que você possa entender o que eu também não entendo

Pensamentos soltos, sentimentos embaralhados, sentidos esquecidos. Assim eu me sinto, como se fosse algo fora do padrão social. Uma adolescente diferente, ou talvez muito igual a todos outros. Apenas um ser, que não sabe se está sendo.

Pensei em muitos assuntos para descrever, a começar por amor. Mas de textos tristes todos estão cansados. É ruim, e um tanto quanto chato, ter que conviver com sua própria tristeza e ler sobre a dos outros. Isso não lhes diz respeito, então deixo o amor para outra hora. Uma hora em que ele tiver o seu momento feliz comigo.

E por que não falar de pensamentos? Pensamentos são tão belos. Só que é difícil escrever sobre algo tão complexo. Pensamentos são tão diferentes uns dos outros, podem ser tão racionais, outrora sem sentido nenhum. Pensamentos... Afinal, por que pensar? Para que o “pensar” existe? Gostaria de, então, responder minha pergunta com algo clichê. Porque ser clichê, mesmo sendo estúpido, é preciso. O pensamento existe para evitar que as pessoas cometam erros. E, por favor, quem nunca aqui fez algo sem pensar e, meia hora depois, levou as mãos à cabeça com o seguinte pensamento: “nossa, por que eu fui fazer isso”? Esqueçam os pensamentos, também.

Sentidos! Louvemos a eles. Para que vivemos? Recapitulando, quem nunca ouviu a seguinte pergunta: qual é o sentido de nossas vidas? E você responde, com o peito estufado de orgulho: minha família. Meu namorado. Minha profissão. Meu cachorro. Meu periquito. Meu vestido. Eu gosto de ser diferente, como disse em princípio. Óbvio que não viveria sem mamãe, mas o sentido da minha vida é procurar algum sentido para acordar.

Muito bem, com toda certeza adoraria acordar ao lado de alguém que eu amasse, e que fosse recíproco. Obviamente gostaria de passar horas olhando para os olhos de alguém sem precisar dizer uma palavra, por estar apaixonada. Mas eu não tenho este sentido. E não me importa, com toda a mentira que eu possa carregar em uma frase: não me importa. Por favor! Óbvio que importa, ser carente é algo que está com as pessoas, ou pelo menos em boa parte delas. Não generalizemos.

O bom da vida, o bom sentido para vida, é nunca pararmos. Seja de amar, respirar, sorrir ou chorar. O sentido da vida somos nós mesmos que buscamos, e muitas vezes encontramos. Ter sentido para viver é gratificante, procura-lo é enriquecedor. A vida não para, o ciclo dela também não. Vocês já viram como é belo o amanhecer?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dor pouca

É incrível como todos subestimam os adolescentes, até mesmo eles próprios. Subestimam suas vontades, conquistas. Subestimam sua vontade de. De fazer, de ser, de poder e de querer. Subestimam suas notas, seus sonhos, suas derrotas. E, principalmente, subestimam sua dor.

Para muitos, ou quase muitos, a dor de uma pessoa de 16 anos é pouca. E é ridiculamente estúpida a forma como comparam suas dores de 30 anos com nossas próprias, como se fossemos pouco, como se dor – em qualquer quantidade e idade que seja – fosse pouca. E eu quero, gostaria muito, de falar sobre a minha dor aos 16 anos.

Não que isso já não seja diário, não que isto seja de grande importância para você. Mas para mim é. Compartilhar sentimentos em fala não é meu forte, escrever sobre eles, principalmente quando ruins, é um dos meus dons primários.

Mas é constrangedor escrever sobre uma dor que eu não sei direito o que é. Não consigo, mesmo procurando em inúmeros lugares, achar um nome adequado para o que estou sentindo. Não é ódio, nem ciúmes, tão pouco raiva. Acho que é uma das etapas que vem depois de amar, ou o lendário “achar que amou”.

Uma etapa dolorosa que vem para nos mostrar que estávamos caminhando para o torto, errado, difícil e triste. Difícil eu não diria, até porque as maiores partes dos caminhos de nossa vida acabarão sendo tristes e solitários.

Então quer dizer que não estou retratando um fim, como achei. Estou escrevendo sobre um novo começo. Uma nova chance. Uma chance que a vida me deu de olhar para trás e ver que eu estava no errado, eu estava sofrendo pelo errado. Uma chance de começar do zero e procurar o que foi bom. E, mesmo que não encontre, foi uma chance para eu sorrir com olhos trêmulos e embaçados pelas lágrimas. Uma chance de sorrir pelo errado, que teve seu momento de certo para mim.

E eu estou em mais um fim dos meus textos estranhos, e ele não tem um título. Então eu parei para pensar. Pensei em colocar um único nome próprio, pensei em escrever uma frase, duas ou três palavras sem sentido. Nada. Talvez isto mais seja um desabafo, um meio que eu achei para descrever toda essa dor que eu estaria sentindo. Um meio para eu tentar arranca-la, já que com minhas próprias unhas foi em vão. Um meio de tentar convencer a mim mesma que, mesmo quando o fim não foi feliz, há sim possibilidades de sorrisos sinceros.

ps: E eu sorri com o meu errado, e se eu pudesse eu viveria com meu errado!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

I wanna believe in love

Você acredita no amor? Quero dizer, na forma doida e desorganizada com que ele acontece em nossas vidas. Nos vários tipos que se pode sentir, e lembre-se que é apenas um sentimento. Um sentimento sem prato de entrada ou sobremesa. Um sentimento que não há maneira de degustar antes, e que nunca avisa quando, nem como, vai chegar. É apenas ele e nada mais.

É completamente surreal, diria até insano, a forma como podemos amar diferentes pessoas de diferentes maneiras. Amar a mãe e a um namorado também. Amar alguém que não lhe corresponde e amar a um irmão. Ser amado e não amar. Amar sem perceber, sem saber, sem querer.

E o incrível disso tudo é como podemos nos sentir bem quando amamos - ou não. Eu posso me sentir feliz e, um instante depois, querer arrancar toda e qualquer coisa do meu coração. Chorar consome, e o amor tem muito disso - oras lágrimas de alegria, oras de dor sem fim.

O amor nos torna pessoas melhores, ou piores. Deixa-nos mais tolerantes, ou impacientes demais. Faz-nos sentir criança, horas depois velhos e cansados. Faz com que uma válvula de escape seja, como se por mágica, colocada dentro de nós. E nós sabemos como à ativamos, e o porque disto, obviamente sabemos. Somos amantes, afinal.

E o mais incrível disso tudo, até mesmo mais incrível do que o terceiro parágrafo, é eu estar escrevendo sobre as mil formas existentes do amor. E eu fico feliz por isto. De alguma forma, e por algum motivo - ainda não descoberto por mim -, eu não estou falando sobre morte, lágrimas ou tristeza. Porque o amor não é triste. Ele pode vir a se tornar triste, mas sempre, e eu dou ênfase no sempre, haverá algo bom para ser relembrado uma, duas, três e quantas vezes nossos corações suplicarem por uma dose mortal de nostalgia.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Meu nome é ninguém

Vagando pelas ruas escuras, postes capengas, luzes piscando. Vagando atrás de respostas para suas perguntas, vagando atrás de algum sentido para continuar onde está.

É fácil perceber a forma despedaçada que me encontro neste momento, é fácil não saber como e nem porque devo me reerguer. Seria mais conveniente, para mim, deitar e esperar que algo me levasse embora. Seria mais conveniente se eu olhasse da janela a vida passando, seria mais fácil.

Mas, ah! Por que o ser humano gosta tanto dos desafios? Por que o ser humano não é capaz de fazer sempre o mais simples? Eu me levantei. Eu fui atrás. Eu fui atrás da vida, de você.

Se algo der errado, mais uma vez, eu continuarei a vagar. Não há como achar uma direção, é muito triste seguir sozinha, é muito difícil enxergar através dos olhos injetados e da silenciosa e fatal escuridão. No meu caminho eu vejo uma rosa sem pétalas, e ela parece precisar tanto de ajuda.

Nós fazemos uma vida dura, nós seguimos as modas, rotulamos as pessoas. Nós fazemos uma vida vazia, nós jamais teremos alguém do nosso lado. Não enquanto respirar doer tanto. Não enquanto viver a vida queime. Não enquanto meus textos forem tristes e estranhos, não enquanto a dor de cabeça me matar aos poucos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Baby bye bye

De frente ao espelho indaguei com palavras trêmulas, ensaiei um discurso - algo muito clichê, "não vá embora, eu te amo" -, mesmo sabendo que ao te ter por perto esqueceria até quem sou.

Respirei, deixando o meu reflexo ser substituído por uma neblina. Enquanto a imagem voltara a ficar clara, limpei os últimos vestígios de lágrimas deixadas no canto de meus olhos. Saí.

Os pingos da chuva calma de outono não me abalaram, logo eu já estava vendo o sorisso amarelo do cobrador do ônibus para mim. Tentei retribuir, mas pela sua expressão ele pôde ver a dor do meu sorriso falso. Dei meu lugar à um homem grisalho, portador de uma bengala e um gato malhado. Logo estara em meu destino.

Deixei o ônibus partir e, sob passos lentos, caminhei até a velha casinha no fim da rua. Abri o portão e me deparei com a dor das palavras. "VENDE-SE" era o que estava escrito em uma placa enferrujado, cravada sob a grama verde bem cuidada.

Os passos, uma vez lentos, agora eram urgentes e, logo, meus pulsos estavam sendo arremessados na porta. Uma, duas, três vezes...Nada. Olhei através da janela, já sem cortina: Nada. A casa estava vazia, ele havia ido embora. E minha esperança também.

Caí sob a soleira, agarrei meus joelhos com toda pouca força que restara em meus dedos. Os soluços do meu choro fizeram eco em meio a rua. Pigarreei para tirar o nó que havia se formado em minha garganta. Em vão.

Eu estava sem proteção, sem chão, sem ar. Uma criança sem a mãe, uma nuvem preta sem chuva. Eu era um alvo fácil naquele momento, já que tudo em mim gritava "frágil". Não importava, assim como todo o resto. Meu único, triste e definitivo desejo era a morte. Mas ela não haveria de chegar para mim, me fazendo sofrer com a dor dos dias lentos de outono, inverno, primavera e verão.

Êxtase

Fechei as cortinas, tranquei a porta. Com os fones já em meus ouvidos decidi aumentar o volume até que meus tímpanos reclamassem. Me concentrei nos sons da guitarra, tentei acompanhar a melodia, cantarolei com o vocalista - tudo para não lembrar de você. Em poucos segundos a parede lilás do meu próprio quarto me entorpeceu. Funcionou. Eu dormira sem seu rosto cravado nos meus mais sórdidos pensamentos.

Estava escuro e frio. Passei a palma de minhas mãos sobre meus ombros gélidos enquanto caminhara à procura de alguém. À sua procura. Senti um toque em minha cintura, um suspiro quente e doce tomou conta do meu pescoço e, então, tomou conta de cada movimento de meu corpo. Em um segundo já estava frente-a-frente, cara-a-cara, corpo-a-corpo com o meu pedaço do paraíso.

Ele estara estúpidamente, absurdamente lindo. Seus olhos azuis refletidos aos meus formavam um brilho diferente de tudo. As costas de minha mão, agora, alisavam cada traço do seu rosto desenhado por Deus. Quando tentei questionar, ele se aproximou. Cada segundo que passava, um pouco mais perto...E eu me senti dominada pela paixão momentânea, até ser interrompida. Maldita realidade, maldita claridade!

Nenhuma pergunta, nenhum toque em meus lábios. A vida real resolveu me alertar que já havia sol por de trás da cortina sem blecaute. E, mais uma vez eu estava chorando por um sonho mal acabada. Um sonho chamado você.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma única gota

Tinha tudo para ser o começo de, se não um bom, um dia normal. Sem risos, mas também sem choros. Sem pulos de alegria, mas também sem vontade de sumir.

O céu estava livre de nuvens, parecia ter sido pintado pro um aquarela azul-claro. Meu relógio marcara oito horas da manhã, mas isso são apenas detalhes. Eu quero chegar à lágrima mal-criada.

Eu estava sentada na ponta de minha cama, tentando pegar alguma energia que a luz do sol pudesse me trazer, quando fui entorpecida por uma cascata de pensamentos, - hora bons, outra nem tanto. Segurei todas as emoções que estas lembranças me trouxeram, ou melhor, tentei segurar.Uma lágrima travessa saiu do meu controle, percorreu todos traços e defeitos do meu rosto para, após segundos, morrer em meus lábios.

Neste dia descobri que lágrimas possuem vida. Algumas delas vivem por muito tempo presas, trancadas sob domínio de púpilas carrancudas, que não as deixam sair por nada. Outras vivem por dias molhando rostos, caindo compulsivamente.

A minha lágrima teve vida curta, menor do que a de uma pobre borboleta, que passa suas vinte e quatro horas de vida enchendo nossos olhos com suas cores. Mas trouxe consigo emoções que eu tentara, de todas as maneiras possíveis, esquecer. Em vão. Nem o mais belo dia de primavera afastara de mim lembranças tão doloridas e gostosas de se sentir. E, logo, amigas de minha lágrima travessa dominaram cada canto do meu rosto.